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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ras al-Khaimah está preparado para a America's Cup?


Durante a última semana, alguns dos principais sites de notícias náuticas do mundo divulgaram vídeos e imagens de pessoas que foram à vila de Jazirat al-Hamra, em Ras al-Khaimah, conferir qual é o estado atual da infra-estrutura que receberá a America's Cup em fevereiro do ano que vem. A série "A Copa da Arábia" traz até você tudo o que foi notícia sobre Ras al-Khaimah nas últimas semanas.
O site Sail World divulgou um testemunho de um ex-morador da região: "Não existe clube de vela, só um hotel relativamente pequeno em Al-Hamra - adjacente à ilha que foi aparentemente escolhida para os prédios destinados à America's Cup (o hotel 5 estrelas mais próximo de lá fica 20 km para o norte); as águas e o ar (dependendo da direção do vento) ficam poluídos devido a uma grande zona industrial construída logo atrás da Rodovia Litorânea em Al-Hamra."
Além disso, o colunista Richard Gladwell cita a segurança como um dos maiores riscos da escolha de Ras al-Khaimah: "Muitos vão questionar o porquê de sediar uma America's Cup tão próximo da costa de um país que estava muito próximo de ser invadido pelos EUA no mandato do último presidente." De acordo com previsões extra-oficiais, para se realizar uma regata de acordo com o Deed of Gift (20 milhas barla-sota), a raia de regata estaria a menos de 30 milhas do litoral iraniano.
Contudo, a Société Nautique de Genéve e o Golden Gate Yacht Club deixaram de lado as brigas nos tribunais (por enquanto) e concentram-se em treinar as suas equipes. Enquanto o time Alinghi 5 treina na cidade italiana de Gênova, os americanos do BMW Oracle Racing 90 usam a raia de San Diego como local de treinamento.
Confira na semana que vem mais novidades sobre "A Copa da Arábia" e, durante a semana, as últimas notícias sobre a disputa da 33ª America's Cup em Ras al-Khaimah!
fonte e imagens: Sail World

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O ancestral vivo da caravela

Na segunda edição da série "A Copa da Arábia", o Blog da FENEB conta a história do milenar dhow, um tipo de veleiro tradicional da região que serviu de base para o desenvolvimento das caravelas portuguesas na Era dos Descobrimentos.
O dhow (pronuncia-se "dáu") possui várias características únicas, que foram desenvolvidas primeiramente pelos árabes há 3100 anos atrás e que continuaram sofrendo aprimoramentos ao longo dos séculos. Todo o processo de construção do barco e de navegação é considerado pelos árabes como uma obra de arte, que deve ser minuciosamente trabalhada e passada para as próximas gerações.
Uma das principais diferenças do dhow para os veleiros utilizados por outros povos na Antiguidade está na propulsão. Os árabes já haviam desenvolvido velas trapezoidais com um formato muito próximo ao triangular, que mais tarde dariam origem às "velas latinas" em forma de triângulo, como as que usamos hoje nas nossas embarcações. Outra singularidade está nos diversos tipos de cascos: existem dhows com popas semelhantes aos veleiros ocidentais (baghlah) e até mesmo alguns (badan) com estrutura semelhante aos nossos saveiros!
Mas por quê os árabes desenvolveram os dhows? Primeiro, eles precisavam de um veleiro rápido e com facilidade de manobra para poder fazer comércio com povos distantes, como indianos, africanos e chineses. Segundo, o dhow é perfeito para se acessar os recifes onde se encontram as ostras que produzem as mais finas pérolas do mundo. Ras al-Khaimah foi um dos mais importantes centros de comércio na Era das Navegações, quando os dhows faziam as trocas entre o Ocidente e o Oriente.
Hoje em dia, assim como os saveiros baianos, muitos dhows perderam seus mastros e receberam potentes motores, especialmente para transporte de passageiros e cargas. Contudo, a contribuição que este veleiro teve para a História da vela nunca poderá ser apagada. O desenvolvimento das velas triangulares possibilitou um melhor aproveitamento do vento e, junto com o leme, finalmente deu total capacidade ao navegador de ir e voltar ao mesmo porto com quase qualquer condição de vento.
Na semana que vem, confira mais uma reportagem da série "A Copa da Arábia" e, durante a semana, acompanhe as últimas notícias sobre a 33ª America's Cup aqui, no Blog da FENEB.

fonte e fotos: Wikipédia e www.nabataea.net

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Seja bem-vindo aos Emirados Árabes Unidos!

Quando a Société Nautique de Genéve anunciou que a 33ª America's Cup seria realizada em Ras al-Khaimah, a grande maioria dos velejadores tirou a poeira do atlas para procurar onde fica o pequeno emirado e por quê a SNG escolheu este lugar que, aparentemente, não tem nada a ver com o esporte náutico.
Porém, muitos se surpreenderam ao descobrir que os árabes já navegavam por aquelas águas há centenas de anos a bordo das suas dhows, que já possuíam "velas latinas", e usavam a kemal, antecessora do astrolábio. "A Copa da Arábia" vai levar você até os Emirados Árabes Unidos (EAU), contando a história por trás deste povo que, embora viva numa região desértica, tem um contato muito próximo com o oceano.
Para entendermos melhor este intrigante país, primeiro precisamos entender algumas das peculiaridades do sistema político e da situação econômica da região. Os Emirados Árabes Unidos são, na verdade, uma união de sete pequenos emirados (reinos islâmicos), cada um governado por um Sheikh e uma família real. Os dois principais emirados são Abu Dhabi e Dubai, que possuem maior poder econômico em relação aos demais.
Com uma área de 83600 km² (pouco maior que o estado de Santa Catarina), a maior parte dominada por desertos: o Rub al-Khali ("grande vazio", em árabe), cujas dunas chegam a mais de 300 metros de altura, ocupam uma grande área do sul do país e da vizinha Arábia Saudita. Além disso, os EAU também possuem 1318 km de faixa costeira, a maior parte voltada para o Golfo Pérsico. Por falar em comprimento, a distância entre Salvador e Ras al-Khaimah, 11083 km em linha reta, equivale a quase meia volta ao mundo!
A base da economia dos Emirados Árabes Unidos é a extração de petróleo, já que o país possui a 6ª maior reserva do mundo. Contudo, o Governo investe bilhões de dólares anualmente em infra-estrutura turística e empresarial, visando uma forma de sustentar a economia nacional após o fim das reservas. Dubai é a cidade líder na promoção turística: seu aeroporto internacional conecta mais de 200 cidades do mundo com a joia do mundo árabe e é onde fica a maior construção já feita pelo homem, o Burj Dubai, com 818 metros de altura.
Na próxima semana, "A Copa da Arábia" contará os milenares segredos das dhows, as embarcações que deram origem às caravelas portuguesas e dos ancestrais da bússola e do astrolábio, utilizados com maestria pelos navegadores árabes. E, durante a semana, confira aqui no Blog da FENEB as últimas notícias sobre a disputa da 33ª America's Cup!
fonte e fotos: Wikipédia