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terça-feira, 6 de julho de 2010

Juliana Senfft na torcida pelo Team Brasil no Europti

Desde a virada do milênio, por três vezes as meninas brasileiras venceram regatas válidas pelo Europti (Europeu de Optimist), um dos mais importantes campeonatos da classe. Uma destas  vitórias foi conquistada pela Campeã Sul-Americana Juliana Duque (YCB/BA) no último domingo, nas águas do lago de Kamien Pomorski, na Polônia. Já as outras duas vezes foram nas edições de 2002 (em Tavira, Portugal) e 2003 (em Starigrad, Croácia), conquistadas pelas mãos de Juliana Senfft (ICB/RJ), que conversou hoje com o Blog da FENEB.
Ao falar sobre a emoção de vencer uma regata numa das competições mais importantes do mundo, Juju Senfft lembrou da marcante vitória de 2003: "É um sentimento de dever cumprido. Foi uma regata com muito vento e eu era bem leve. Quando cruzei a linha estava com câimbra nas pernas, mas valeu a pena!" Naquele campeonato a niteroiense conquistou o 11º lugar, que é o segundo melhor resultado das meninas brasileiras em Europti's na década.
Como o Optimist é uma classe caracterizada por ser o primeiro contato do jovem com a vela, o momento da saída da classe também é de fortes emoções: "Acho que o dia em que me despedi da classe foi o mais marcante de todos," afirmou Senfft. "Aqui no Rio de Janeiro nós temos os "pé na cova", que são os que estão deixando a classe naquele ano pelo limite de idade (15 anos), e sempre é feita uma homenagem a eles. A minha foi muito especial pois foi no mesmo clube em que corri o meu primeiro Campeonato Estadual em 1994 e o último em 2003. Nessa homenagem foram relembradas várias coisas que aconteceram durante os 10 anos em que velejei de Optimist. E é claro que as conquistas do Campeonatos Brasileiros foram super especiais também!" A saída do Optimist também acarreta uma importante escolha para o jovem velejador: Qual classe seguir agora? "Logo depois que saí do Optimist fui para o 420. É um barco muito legal de velejar e completamente diferente do Optimist."
Além das coincidências no nome e no Europti, as "Jujus" também possuem uma paixão em comum pelo Match Race. Enquanto a baiana Duque participa na recém-formada equipe feminina do Yacht Clube da Bahia, a niteroiense Senfft é a melhor brasileira no ranking da ISAF, ocupando a 16ª posição. O objetivo da sua equipe, a Itapuca (na foto), é a classificação para os Jogos Olímpicos de Londres em 2012. "Acho que o maior ponto positivo do Match Race é que é muito fácil de se entender, além da adrenalina o tempo todo!"
Juju Senfft também está acompanhando a competição na Polônia e mandou um recado especial para o Team Brasil no Europti:

"Galerinha, vamos lá! Ainda tem muita regata pela frente. Mantenham o foco no campeonato que os resultados virão!! E aproveitem o excelente técnico de vocês!!
Representa a mulherada ai hein Juju!!
 
Abraços, Juju Senfft"

Muito obrigado a Juliana Senfft (ICB/RJ) pela participação especial e bons ventos no Match Race feminino! Acompanhe você também todas as novidades da Equipe Itapuca no blog oficial.

Fontes: ISAF e IODA
Foto 1: ISAF
Foto 2: Wesley Santos/Fotoarena/LatinContent/Getty Images

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Presidente da ABCO elogia organização do Brasileiro de Optimist 2010


O Blog da FENEB conversou com Rodrigo Boabaid, presidente da ABCO (Associação Brasileira da Classe Optimist) durante o 38º Campeonato Brasileiro da Classe Optimist, realizado no Yacht Clube da Bahia. Boabaid teceu diversos elogios à organização do campeonato e também à transmissão online do evento, realizada pela parceria entre o Blog da FENEB e o Yacht Clube da Bahia.
Confira a entrevista em vídeo na íntegra:

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O épico do "Lusíada" Francisco Lobato


"Quando eu consultava meus treinadores sobre minha opção de competir na Transat, toda a gente me dizia que nunca ninguém tentou isto aqui em Portugal, não vai dar certo, vais perder!" Com determinação, força de vontade e um enredo digno de "Os Lusíadas", Francisco Lobato apostou todas as suas fichas no seu sonho oceânico. Largou a chance de disputar as Olimpíadas de Pequim na classe Laser para enfrentar sozinho o Atlântico, tendo a si mesmo como único companheiro. Lobato superou as dificuldades financeiras, submeteu-se às regatas de qualificação em duríssimas condições meteorológicas e ainda teve que conciliar tudo isto com a corrida rotina de estudante de mestrado em engenharia naval.

Com essas acertadas decisões, Lobato tornou-se o primeiro português a conseguir a qualificação e, mais do que isso, foi vencedor da Regata Transat 6.50 Charente Maritime-Bahia a bordo do roff tmn. "O balanço geral é muito positivo, atingi o meu objetivo. Ganhei a Transat. Há dois anos foi tudo muito violento, estragou-se muito material. Este ano tudo estava muito bem programado e preparado. Desta vez não parti nada a bordo, tudo estava muito bem preparado, consegui controlar tudo," afirmou o vencedor da classe Série ao jornal português Expresso.

A trajetória vitoriosa de Lobato na edição deste ano começou quando ele decidiu concentrar-se integralmente na campanha transatlântica, ainda em 2007: "Tinha tudo encaminhado para assinar um contrato com a Federação Portuguesa de Vela para participar nos Jogos Olímpicos de Pequim, mas resolvi tomar um rumo diferente. Todos diziam que era pra eu continuar no Laser, mas havia uma vontade grande de seguir em frente neste projeto." Assim como na obra de Luís de Camões, "O Lusíada" Lobato abriu mão de tudo para tentar a incerta glória de conquistar o Atlântico, assim como Vasco da Gama. A diferença é que Francisco enfrentaria tudo sozinho.

O português manteve o foco na preparação para a Transat durante os dois anos, participando das etapas qualificatórias para a regata. Na hora da largada, Lobato não tinha outra coisa na mente senão completar a travessia: "Eu vinha bastante confiante, tinha o barco bem preparado. Sabia o que queria e como iria fazer. Na largada, não olhei o que os outros estavam fazendo, fiz uma primeira etapa muito boa. Meu objetivo além de ganhar era fazer uma regata limpa, sem machucar o barco e ter um pouco de prazer com a velejada."

Já em águas brasileiras, Francisco desafiou os experts da imprensa internacional ao adotar uma tática completamente diferente, tachada de "suicida": "No Recife, decidi ir para fora, não podia correr o risco da divergência de ventos que há por vezes. Perante a hipótese de haver muitas calmarias, baixei o Spi, saí da calmaria e acabei por ganhar vento. Quando tomei esta decisão, não sabia muito bem o que ia acontecer, mas era, sem dúvida, mais seguro," afirmou ele à revista portuguesa NauticaPress. Este bordo acabou por ser fundamental para assegurar a liderança obtida na primeira perna e a vitória na classificação geral. "Se foi a escolha certa ou não nunca vamos saber. O que vai ficar para a história é que fiquei no primeiro lugar."

O que realmente fica para a História é que o Atlântico é novamente português depois de centenas de anos, numa façanha heroica do determinado e incansável Francisco Lobato, que foi muito além do Bojador e da dor. Se valeu a pena? Além de vencedor, Lobato ainda foi solidário com o italiano Ricardo Apolloni, que encalhou na Praia de Guarajuba, e cedeu lemes e ferragens de emergência para que o colega pudesse completar a regata. Talvez Vênus, Júpiter e Marte tenham intervido e protegido o lusitano, assim como guiaram "Os Lusíadas" 500 anos antes.

E agora, quais são os próximos objetivos? "Agora estou terminando meu mestrado em engenharia naval. Chega uma altura na minha vida em que tenho que decidir se serei velejador profissional ou trabalhar como engenheiro, mas vou fazer de tudo para seguir velejando e vou tentar. Vou começar agora nos Figaro e depois gostaria de tentar uma Volvo Ocean Race ou uma Vendée Globe. Vou ver as oportunidades que aparecerem e aproveitar," disse Lobato com uma clara visão de futuro. "A classe Figaro é extremamente competitiva e com nível altíssimo. Só há mesmo o problema dos patrocínios."
Ao final da festa de premiação da Transat, Lobato ainda deixou mensagens para os dois lados do Atlântico: "O Brasil tem que pôr mais velejadores na Mini-Transat. Na vela de equipe vocês já têm muitos, especialmente o grande projeto do Brasil 1 na Volvo Ocean Race." E para Portugal? "Preparem-se para a festa!"
E que festa! A pátria-mãe recebeu ontem o seu filho vitorioso com muita alegria e emoção, em cerimônia realizada no Aeroporto Internacional da Portela, em Lisboa. A caipirinha e as frutas do quente Brasil deram lugar à "imperial" e ao cachecol do frio Portugal. Mas, tanto na Bahia quanto em Portugal, o que fica é o sentimento de admiração e respeito ao "heroi do mar" Francisco Lobato, que não desistiu nunca do seu sonho e que agora virou realidade.

link: http://tinyurl.com/yjq3rcc
fotos: gentilmente cedidas pelo site oficial www.franciscolobato.com

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Avaliação do YCB e da FENEB sobre o 36º N/NE de Optimist

Confira a entrevista exclusiva do Blog da FENEB sobre o 36º Campeonato Norte/Nordeste de Optimist com o vice-comodoro de esportes do Yacht Clube da Bahia, Armando Tavares, e com o presidente da FENEB, Arnaldo Pimenta.

Armando Tavares: "Acredito que a classe Optimist é o princípio de tudo, todos os esportes que tivermos que desenvolver para que a vela cresça na Bahia têm que partir do Optimist. Dentro desse período de um ano, estamos fazendo o N/NE e o Brasileiro, exatamente para incentivar esses meninos que estão chegando agora. Acho que isso é a parte mais importante dentro de qualquer programa de desenvolvimento da vela. Se você não tiver a base, não se chega ao caminho certo.
Nós procuramos investir na Escola de Vela e facilitar o surgimento desses novos talentos que estamos vendo no campeonato. Este é o terceiro ou o quarto campeonato grande que esses meninos estão disputando, e é bom o convívio que eles estão tendo com meninos de outros lugares, inclusive lugares com a vela mais desenvolvida do que aqui. Estamos felizes com a ideia e a vontade da FENEB de desenvolver um modelo diferente de mostrar regatas pro Brasil inteiro."

Arnaldo Pimenta: "Sediar um campeonato, principalmente um campeonato infantil, é a melhor maneira de despertarmos o gosto pelo esporte entre o público. O clube anfitrião vive uma semana bem animada e alegre, e o ambiente torna-se propício para despertar no espectador o interesse em participar da equipe esportiva. Sempre ao final de um campeonato as inscrições nas escolinhas aumentam. A Bahia precisa de mais atletas para fazermos frente a muitos estados brasileiros e o caminho é realizar campeonatos, pois assim trazemos as feras do esporte para junto de nós. Uma coisa é certa: após um campeonato toda a equipe evolui muito.
Além do alto padrão da equipe técnica comandada pelo árbitro Pedro Paulo Petersen, este Campeonato N/NE realizado pelo YCB teve o seu ponto máximo quando a parceria entre a FENEB e o Yacht Clube da Bahia deu um show de inovação, transmitindo on-line as regatas do campeonato para todo o Brasil. Todos os que não puderam assistir in loco o campeonato ficaram maravilhados com a oportunidade em assistir de longe e os que aqui vieram partiram satisfeitos com a novidade."

sábado, 4 de julho de 2009

FENEB Entrevista: Gerald Wicks

Em 1981, na praia de Ponta de Nossa Senhora, três irmãos estavam tendo o primeiro contato com a vela num Laser. Passaram-se os anos, e pouco a pouco os três irmãos foram escrevendo seus nomes na história junto com o nome da equipe que formaram: uma equipe que se confunde com a própria família Wicks. Atualmente, Gerald, Jack e Wallace Wicks estão no grupo dos mais respeitados velejadores baianos e o Marujo's é um pedaço vivo da história da vela baiana.
Durante a próxima semana, o Marujo's será um dos representantes do nosso estado na Rolex Ilhabela Sailing Week 2009, competindo na classe ORC International. O FENEB Entrevista de hoje apresenta como convidado Gerald Wicks, que falou com o Blog da FENEB no dia que viajou para Ilhabela.

Blog da FENEB: O Marujo's é conhecido na Bahia por ser uma equipe que corre "em família". Qual a vantagem dessa característica em relação aos adversários?
Gerald Wicks: Hoje temos como base da tripulação do Marujo's Jack, Gerald e Wallace (os três irmãos) que já correm juntos há 28 anos. Esta é a grande vantagem pois cada um tem uma posição definida dentro do barco e o entrosamento é muito bom. A tripulação está aumentando com a entrada dos filhos no esporte. Atualmente temos Nicholas, que já passou pelo Optimist e atualmente corre na classe Laser e faz parte da tripulação, e Jerrinho que inicio na Classe Optimist e em breve fará parte da tripulação.

Blog: Como começou a história da família Wicks com a vela? E como surgiu o "Marujo's" na família Wicks?
Gerald: É uma historia longa mas vou tentar resumir... Meu pai sempre gostou de lancha. Porém, a família cresceu e ele terminou comprando uma escuna. Tivemos o primeiro contato com a vela participando da Regata Aratu-Maragojipe. No retorno da regata paramos em Ponta de Nossa Senhora, e lá encontramos um amigo que trabalhava na Mesbla Náutica com um veleiro Laser, e nos convidou para dar uma velejada. Terminamos velejando de Ponta de Nossa Senhora até Salvador, gostamos tanto [do Laser] que terminamos comprando um. Aí começou o vicio na vela e lá estávamos nós todos os finais de semana na Rua K. Começamos então a participar das regatas com Monotipo e hoje estamos de Oceano.

Blog: Para você, qual a regata mais emocionante do calendário da vela baiana?
Gerald: Toda regata é emocionante. As Barla/Sota, que são realizadas principalmente nos Campeonatos Baianos e Circuito Salvador, são as que exigem mais técnica. As demais são boas para passear.

Blog: Nos últimos anos, a vela baiana está cada vez mais forte no cenário nacional, desafiando a hegemonia do eixo Rio-São Paulo. Qual é a emoção de ter o Marujo's, com uma tripulação 100% baiana, incluído na lista dos veleiros mais competitivos do Brasil?
Gerald: Para nós é um grande prazer estar representando a Bahia com a Tripulação 100% Baiana. Sabemos que vai ser uma disputa muito dura e uma escola para todos nós. Os barcos e as tripulações do Sul e Sudeste têm uma grande vantagem sobre os velejadores do Nordeste, pois eles têm mais investimento e patrocínio, sendo o esporte náutico muito mais difundido e competitivo que aqui. Já estão em Ilhabela pelo menos 30 barcos acima dos 40 pés que deverão correr em uma mesma raia. Estamos indo com uma tripulação muito experiente e esperamos trazer um bom resultado.
foto: Mauricinho Mascarenhas e Campeonato Baiano de Vela de Oceano 2008

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

FENEB Entrevista: John Martin

Hoje, o FENEB Entrevista tem a honra de trazer como convidado o Comodoro do Royal Cape Yacht Club, John Martin, que fez parte da comissão de regata da edição 2009 da Heineken Cape to Bahia. Numa conversa agradável no Terminal Náutico da Bahia, enquanto esperávamos a tripulação do Rambler chegar para as boas-vindas, John nos contou um pouco da relação da África do Sul com a vela e não poupou elogios à Bahia.
Blog da FENEB: Comodoro John, você poderia nos falar um pouco sobre o Royal Cape Yacht Club?
John Martin: O RCYC é o maior clube de veleiros de oceano de toda a África do Sul, com 150 barcos e 3000 membros e destes, 40% são velejadores. Nós também temos 15 veleiros de oceano que correm pela classe IRC, ou seja, são realmente muito competitivos. Entre os nossos associados estão vários dos melhores velejadores do nosso país, alguns já inclusive usaram as "cores do Springbok", a maior honra esportiva da África do Sul.

Blog: Qual a importância da Heineken Cape to Bahia para o mundo da vela sul-africano?
Martin: É a nossa regata mais importante, e justamente um dos objetivos do Royal Cape Yacht Club é promover a vela sul-africana internacionalmente. A primeira regata trans-atlântica que organizamos foi a Cape to Rio em 1971. Mas, em 2003, nós percebemos que Salvador seria um lugar melhor para a chegada.

Blog: Por quais motivos?
Martin: Aqui na Bahia sempre temos brisas soprando, temos uma melhor competitividade na chegada, a infra-estrutura para os velejadores é melhor do que no Rio de Janeiro, já que tudo está muito próximo do ancoradouro, e fica mais fácil preparar a viagem de volta. Nós também recebemos ajuda do Cônsul-Geral do Brasil na África do Sul, Joaquim Sales, e acreditamos que existe um grande potencial do turismo entre os dois países e até mesmo em trocas culturais entre a Cidade do Cabo e Salvador. Nós do RCYC estamos felizes de estar aqui pela segunda vez, e pela Bahia ter aceitado receber a corrida. Agradeço ao Governo da Bahia pela ajuda na organização da nossa regata.

Blog: Este ano tivemos muita emoção na Heineken Cape to Bahia, principalmente pela disputa entre o Rambler e o ICAP Leopard. Como você enxerga a presença de veleiros internacionais na regata?
Martin: Este ano, temos veleiros de 9 países e velejadores de 27 nacionalidades, sem contar com os participantes do Atlantic Rally for Cruisers. Um dos meus objetivos era trazer os super-maxi's para a regata, para aumentar o nível de competição.

Blog: Quais as regatas internacionais que o Royal Cape Yacht Club sedia além da Volvo Ocean Race?
Martin: Nós sediamos ano passado a Portimão World Race, que tinha barcos competindo em solitário e em duplas. Junto com a Heineken Cape to Bahia está vindo 19 barcos do Atlantic Rally for Cruisers, e está pra vir esse ano também o Clipper Challenge.

Blog: Como você vê o desempenho dos velejadores "da casa" na Cape to Bahia?
Martin: Nós temos o Hi-Fidelity, que deve ser o próximo a chegar, e é o líder no tempo corrigido entre os sul-africanos. Nós tínhamos também o Vineta, de bandeira alemã mas com tripulação do RCYC, que é muito competitivo, mas perdeu o mastro logo no início. Nós também temos dois barcos com tripulações jovens: um deles é o Over Proof, que estava velejando muito bem, mas teve que abandonar por causa dos lemes quebrados; o outro é o Voortrekker, que é tripulado por alunos e ex-alunos de uma academia de vela para crianças de famílias pobres.

Blog: O Royal Cape Yacht Club tem uma escola de vela ou classes de monotipos?
Martin: Não, não, o RCYC é só de veleiros de oceano. Porém, nós temos um programa de incentivo e apoio à formação de jovens velejadores com diversas escolas de vela por todo o país, e nós chamamos os melhores para competir na vela de oceano. A Academia de Izivunguvungu, da Marinha da África do Sul, conta com o apoio do RCYC. Nós pagamos os cursos e damos incentivos aos jovens para que participem da academia.

Blog: O objetivo da FENEB é exatamente este: fomentar a vela no Estado da Bahia, através de projetos para trazer a vela para perto do público e, consequentemente, dos jovens. Para você, qual é o caminho certo na construção de uma sociedade que apóie e incentive a vela?
Martin: Acredito que vocês aqui na Bahia estão fazendo certo, permitindo ao público que participe da vela. A vela não é um esporte de elite, e muitas vezes o dono do barco não é o capitão. O caminho a seguir envolve trazer o público e dar oportunidade às pessoas para que tenham experiência competitiva no esporte e para que saibam que é um esporte com preços acessíveis. Deve-se ensinar às pessoas as noções básicas da velejada, de navegação, e dar oportunidade para que eles façam parte de uma tripulação e que desenvolvam diferentes habilidades, como as de skipper, proeiro ou navegador. E, se o Governo gastar só um pouquinho mais com o esporte, poderá ajudar a trazer a vela para mais perto do público da Bahia.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

FENEB Entrevista: Pedro Paulo Petersen

O FENEB Entrevista de hoje tem como convidado Pedro Paulo Petersen, presidente da Federação de Vela do Estado do Rio de Janeiro (FEVERJ). Durante a cerimônia de encerramento do XIV Circuito Salvador de Vela de Oceano, Pedro Paulo falou sobre o esporte náutico do Rio de Janeiro e sobre a experiência dos cariocas de muitos anos organizando eventos náuticos de ponta.




Blog da FENEB: A Baía de Guanabara, embora várias vezes menor que a Baía de Todos os Santos, tem diversas flotilhas de monotipos e veleiros de oceano, com algumas classes tendo um campeonato estadual próprio. O que você acredita que faz as pessoas se interessarem pelo esporte náutico, e em especial à vela?
Pedro Paulo Petersen: É meio geopolítico, o Rio tem muitas famílias tradicionais europeias que formam tripulações, e essa tradição europeia passou pros filhos e netos, e isso fez com que nós tivéssemos 18 clubes de vela só na baía de Guanabara. Acredito que a força da vela é devida às famílias tradicionais, como a família do avô do Torben Grael, que veio para Cabo Frio construir uma ponte e acabou ficando por aqui. É um ramo da vela que tem tanto o Torben quanto os seus tios, Axel e Erik, é uma família inteira que os filhos vão crescendo e vão se juntando à vela. É um exemplo da árvore genealógica que faz crescer o número de pessoas que velejam.

Blog: O Rio sediou há dois anos os Jogos Pan-Americanos, durante o qual ocorreram eventos de vela. O público passou a ter maior interesse pelas regatas e campeonatos de vela no estado após o Pan?
Pedro Paulo: Acredito que a Volvo Ocean Race em 2006 foi um evento específico de vela que a mídia cobriu muito, tanto na TV quanto no rádio e jornal. A Volvo foi um ponto de partida para que o povo se envolvesse mais pelo esporte, já que só Pan e Olimpíadas tem uma divulgação maior. Acho que a VOR foi a base para a divulgação da vela, a partir dela houve um interesse maior da imprensa em divulgar a vela. Dentre todos os esportes brasileiros a vela é o que conseguiu mais medalhas, e a Volvo foi o alicerce para divulgar-se isso. Em março vamos ter a Volvo no Rio de novo, e a largada será dia 11 de abril. Será outro período que a vela será bastante divulgada.

Blog: Diferentemente da Bahia, que a força da vela está concentrada em Salvador, o Rio de Janeiro tem vários núcleos náuticos além da capital, como Angra dos Reis, Paraty, Búzios, Cabo Frio e outros. A FEVERJ possui um calendário de eventos náuticos especiais para essas regiões?
Pedro Paulo: A FEVERJ tem um calendário anual que envolve todas as regiões e um calendário específico para cada município. Temos 18 regatas oficiais durante o ano, uma regata patrocinada por cada clube e que envolve regatas fora do município do Rio de Janeiro. Essas regatas formam o Campeonato Interclubes que, ao final do ano, premia o clube campeão. Esse evento atualmente é um dos eventos mais concorridos, pois os clubes fazem força para que os velejadores participem destas regatas para o clube obter uma maior pontuação. Cada clube tem direito a uma regata por ano, e essas regatas somam para o Interclubes que não forma o velejador, mas sim o clube vencedor. Essa competição faz com que exista um intercâmbio, porque em todos os clubes vão velejadores de outros para participar. Antigamente, um velejador do ICRJ não gostava de participar em Niterói ou Angra, e hoje em dia os clubes incentivam para que eles corram essas regatas específicas para que o clube seja campeão.

Blog: O Rio de Janeiro receberá de novo este ano a flotilha da Volvo Ocean Race. Da última vez, há três anos, era a primeira vez que um veleiro brasileiro participava desta regata, e no final, eles conseguiram o feito histórico de entrar para o pódio de uma competição de altíssimo nível. Quais são os aprendizados que se obtêm ao realizar uma regata internacional deste porte?
Pedro Paulo: No Brasil, nós não temos uma cultura de vela junto aos patrocinadores. É muito difícil, em função do alto custo, que o Brasil se faça representar nesses eventos de grande porte, pois o valor mínimo de um patrocínio fica bem acima do que o retorno de mídia que será conseguido em função deste. O Brasil só consegue grandes patrocinios para o futebol, pois é o esporte que a mídia apóia. O projeto da Volvo, que teve um barco brasileiro, só foi possível pelo grande empenho da empresa Brasil 1 na busca do mesmo, e a maior parte desse patrocínio veio do Governo Federal.

Blog: Além da Volvo, vocês sediarão mais algum evento internacional este ano?
Pedro Paulo: Em 2009 haverão três Campeonatos Mundiais de vela no Rio de Janeiro. Na primeira quinzena de julho haverá o Campeonato Mundial da Juventude da ISAF e na segunda quinzena de julho o Campeonato Mundial de Laser 4.7, ambos no múnicipio de Búzios. E também o Campeonato Mundial de Optimist, que será realizado em Niterói no mês de agosto.

Blog: Para você, qual o pilar mais importante na construção de uma sociedade que respeite, incentive e participe do esporte náutico?
Pedro Paulo: O esporte náutico é tratado como um esporte de elite, e isso inibe muitos que querem participar de obter informações por acharem que é um esporte somente para ricos. Isso é algo que todo mundo fala mas não é verdade, pois existem velejadores que são da classe média-baixa. Ao se adquirir um barco da classe Dinghy ou Laser, que custa por volta de 3000 reais, o velejador não terá o custo durante bastante tempo pois o mesmo é movido a vento e a conservação é mínima. Ao mesmo tempo, se você compra uma lancha, o gasto com combustível, manutenção são razoavelmente grandes.

fotos: Maurício Mascarenhas

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

FENEB Entrevista: George David

Logo ao chegar no Terminal Náutico da Bahia, o comandante do Rambler, George David, foi convidado pelo Blog da FENEB para conceder uma entrevista e trazer um pouquinho da emoção da regata para os velejadores baianos. David, que velejava em monotipos desde os oito anos de idade, é representante de uma empresa líder mundial em elevadores, e nos contou que esteve na Bahia há 30 anos para fazer a manutenção do Elevador Lacerda. Segue a reportagem completa:


Blog da FENEB: Como foram as 3400 milhas que vocês enfrentaram para chegar até aqui?
George David: Foi um percurso perfeito, mas você sabe que como nem sempre o caminho reto é o mais curto, nós tivemos de percorrer quase 3700 milhas para chegar na Bahia. Nós fomos muito bem, e talvez sejamos os vencedores! Dependendo das condições que o Hi-Fidelity vai enfrentar, temos uma chance real de vencer no tempo corrigido.

Blog: E a emoção da "batalha" contra o ICAP Leopard?
David: Nós fizemos uma boa velejada, mas você tem que levar em consideração que o ICAP Leopard é 10 pés maior e é uma verdadeira máquina de velejar, ele não tem nada no barco! Nossa viagem foi muito mais confortável, tínhamos direito a banho, ar-condicionado...

Blog: Com certeza vocês tiveram um conforto muito maior.
David: Mesmo o nosso barco tendo um projeto mais conservador, nós conseguimos algumas vitórias. Na regata Fastnet, que sai da Inglaterra, dá a volta na Irlanda e volta, passamos num farol irlandês a 3 segundos do ICAP Leopard enquanto eles deveriam estar 50 milhas na frente... Eles tem capacidade para serem muito mais rápidos que nós. No final da Fastnet, eles chegaram 40 minutos na frente, mas no corrigido o Rambler ganhou por 8 horas.

Blog: A Heineken Cape to Bahia é, sem dúvidas, uma regata inesquecível. Como foram esses onze dias no mar?
David: Bem, durante a regata nós tivemos três momentos. O primeiro foi na saída da Cidade do Cabo, onde tínhamos muito, muito vento. E ventos fortes mesmo! Mas, durante algumas horas, nós não tínhamos vento nenhum! Depois, no meio do Atlântico, é onde nós pensamos nas coisas da vida... (risos) Enquanto o barco estava indo a 15, 16 nós, a gente ficava discutindo as questões que temos sobre a vida...

Blog: E a chegada?
David: Ah, estamos muito felizes de chegar aqui após onze dias de "4 horas acordado, 4 horas dormindo". A comida congelada já não era mais tão saborosa, mas eu velejo porque eu gosto de competir e ter uma chance de ganhar. E nós ficamos felicíssimos com o desafio.

Blog: Muito obrigado pelas palavras, comandante David.
David: Eu gostaria também de parabenizar o Royal Cape Yacht Club, o Governo da Bahia e os patrocinadores pelo excelente trabalho que fizeram aqui, e a nossa participação este ano é devida ao empenho com que eles realizaram todo este evento.


foto: Maurício Mascarenhas

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

FENEB Entrevista: Mike Slade



Há poucos minutos o comandante do ICAP Leopard, Mike Slade, foi recepcionado no Terminal Náutico da Bahia pelo Diretor-Geral da SUDESB Bobô, pelo Assessor Internacional do Governador Alexandre Amissi, pelo Grupo de Trabalho Náutico do Governo do Estado e pela comissão organizadora da regata. O comandante vencedor concedeu uma entrevista exclusiva para o Blog da FENEB. Slade é um veterano velejador que disputou a primeira regata há 20 anos, e competiu na Heineken Cape to Bahia com uma tripulação de 20 pessoas, incluindo ele. Segue a entrevista na íntegra:

Blog da FENEB: Mais uma vez, o ICAP Leopard bate um recorde. Qual é a emoção de ganhar mais um troféu?
Mike Slade: É fantástico! É o nosso décimo recorde desde 2008 e nós estamos curtindo essa série fantástica de recordes.

Blog: E depois de velejar por mais de 3400 milhas, qual o sentimento que fica?
Slade: Você sabe, é a maior regata non-stop que existe no mundo. Não tem nenhuma outra que percorra uma distância tão grande sem paradas. O desafio dos últimos dez dias foi simplesmente muito especial, tanto quanto o recorde da travessia do Atlântico Norte.

Blog: Agora que vocês quebraram o recorde da Heineken Cape to Bahia, vocês são sem dúvida os Reis do Atlântico!
Slade: Ah, não, não... Estamos somente muito felizes com a nossa velejada.

Blog: E agora, quais são os próximos desafios?
Slade: Temos agora em fevereiro em Antígua as 600 milhas do Caribe, que é uma corrida criada recentemente. Temos também outra travessia do Atlântico em junho e em dezembro correremos a Sydney-Hobart.
fotos: Maurício Mascarenhas

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

FENEB Entrevista: Arnaldo Pimenta

Ano novo, vida nova. É com este espírito que a gestão do biênio 2009/2010 da FENEB, presidida por Arnaldo Pimenta, chega para fortalecer a vela baiana. No acolhedor e temático espaço da Marina de Itaparica, o recém-empossado presidente concedeu algumas palavras ao Blog da FENEB.


Blog da FENEB: Quais são as principais metas desta nova gestão?
Arnaldo Pimenta: Um dos principais objetivos é divulgar as atividades da Federação tanto para os clubes filiados quanto para a comunidade náutica incluindo-se aí esportistas, imprensa e órgãos governamentais. Vamos dar visibilidade à FENEB para que ela seja uma entidade catalisadora do esporte náutico, agregando valores e, consequentemente, agregando credibilidade à prática esportiva, em especial à vela.


Blog: Teremos alguma novidade esse ano no campeonato?
Arnaldo: Iremos organizar e aperfeiçoar as regras para a premiação do clube campeão baiano de vela juntamente com o melhor velejador do ano e também a melhor velejadora.


Blog: E quanto aos patrocinadores?
Arnaldo: Outra meta importante é estimular o patrocínio dos velejadores e, também, dos veleiros mediante o estabelecimento de regras claras de forma que as empresas interessadas em patrocinar possam fazê-lo com segurança.


Blog: A federação também irá promover atividades "em terra" para os velejadores?
Arnaldo: Sim. Iremos dar continuidade ao projeto da gestão passada e promoveremos uma série de cursos desde os "princípios fundamentais" até "juiz de regata" com o objetivo de dirimir dúvidas sobre as regras de regata bem como formar um quadro mais amplo de medidores, gerenciadores e juízes de regatas.


Blog: Para você, como deve ser uma Federação ideal?
Arnaldo: A Federação ideal tem que estimular e cuidar do esporte, construir um bom relacionamento com os órgãos públicos, aumentar a quantidade de clubes e esportistas filiados e estar presente no maior numero de eventos possíveis, enfim, a Federação ideal é aquela que é querida e reconhecida pela sua real importância no desenvolvimento do esporte náutico.