sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Rambler com as duas mãos no South Atlantic Trophy!

Com um tempo oficial de 11 dias, 2 horas e 55 minutos, o Rambler está agora numa posição mais que confortável para se candidatar ao South Atlantic Trophy, entregue ao vencedor no tempo corrigido da Heineken Cape to Bahia. Embora tenha chegado 21 horas e 10 minutos após o rival ICAP Leopard, o rating dos americanos dá direito a uma liderança mais que confortável. O único veleiro com chances reais de bater o super-maxi de 90 pés é o sul-africano Hi-Fidelity, que precisa chegar até as 13h42 do sábado (25/01) para subir ao primeiro lugar e tirar o troféu das mãos do Rambler. Contudo, Éolo não está colaborando, visto que o Hi-Fidelity está enfrentando ventos fracos e a comissão de regata estima a chegada deles apenas no domingo, dia 26/01. Mas os "deuses devem jogar os dados," já que "o vencedor leva tudo."
Enquanto isso, o australiano Impiana está estável na quarta colocação, exigindo do MTU Fascination of Power e do Voortrekker uma velejada perfeita para levarem o quarto lugar para a África do Sul. No meio desta flotilha está o Over Proof, que foi forçado a abandonar devido à quebra dos lemes e agora motora em direção à Bahia. Dentre os que continuam em direção à Bahia, o Jacana e o Smooth Torquer estão nas últimas posições, mas ainda têm chances de aspirar melhores lugares na classificação.


fonte: www.southatlanticrace.co.za - foto: Maurício Mascarenhas

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vídeo exclusivo da chegada do Rambler

Assista o vídeo que o Blog da FENEB traz com exclusividade mostrando a chegada do super-maxi americano de 90 pés Rambler na cidade de Salvador. Comente e dê sua opinião!

Green Dragon quebra estai de proa e cai pra sexto!


As monções de nordeste fizeram a sua primeira vítima na quarta perna da Volvo Ocean Race. Foi o Green Dragon, que quebrou o forestay, ou estai de proa, orçando com ventos de 17 nós com o mar crespo, cheio de ondas. Felizmente, a tripulação tomou rápidas providências, folgando todas as velas e usando adriças para evitar que o mastro caísse e tivessem que abandonar. Agora, o time sino-irlandês seguirá para Qingdao, mas sem forçar a estrutura do barco.
Neste momento, o "dragão verde" está com a mestra original, mas trocou a genoa por uma J4, a menor de todas do enxoval e ainda está a 176 milhas de South Rock Light, o waypoint que a flotilha deve passar pelo leste.
Ian Walker, skipper do Green Dragon, declarou: "Isso é mesmo desapontante, justo quando nós estávamos lutando com os líderes. Era um stay novinho em folha no início da corrida, e eu não faço idéia do porquê que ele quebrou agora. Eu acho que esse stay é o mesmo de alguns, ou até de todos os barcos da nossa flotilha. O importante é que ninguém se machucou e, graças à reação da nossa tripulação, nós não perdemos o mastro. Mas isto é especialmente desapontante, já que nós queríamos tirar o máximo da performance nesta perna até Qingdao. Vamos continuar velejando o mais rápido possível sem forçar o reparo de fortuna. Como sempre, não vamos desistir, embora a previsão de ventanias para os próximos dias é uma preocupação óbvia."

FENEB Entrevista: Pedro Paulo Petersen

O FENEB Entrevista de hoje tem como convidado Pedro Paulo Petersen, presidente da Federação de Vela do Estado do Rio de Janeiro (FEVERJ). Durante a cerimônia de encerramento do XIV Circuito Salvador de Vela de Oceano, Pedro Paulo falou sobre o esporte náutico do Rio de Janeiro e sobre a experiência dos cariocas de muitos anos organizando eventos náuticos de ponta.




Blog da FENEB: A Baía de Guanabara, embora várias vezes menor que a Baía de Todos os Santos, tem diversas flotilhas de monotipos e veleiros de oceano, com algumas classes tendo um campeonato estadual próprio. O que você acredita que faz as pessoas se interessarem pelo esporte náutico, e em especial à vela?
Pedro Paulo Petersen: É meio geopolítico, o Rio tem muitas famílias tradicionais europeias que formam tripulações, e essa tradição europeia passou pros filhos e netos, e isso fez com que nós tivéssemos 18 clubes de vela só na baía de Guanabara. Acredito que a força da vela é devida às famílias tradicionais, como a família do avô do Torben Grael, que veio para Cabo Frio construir uma ponte e acabou ficando por aqui. É um ramo da vela que tem tanto o Torben quanto os seus tios, Axel e Erik, é uma família inteira que os filhos vão crescendo e vão se juntando à vela. É um exemplo da árvore genealógica que faz crescer o número de pessoas que velejam.

Blog: O Rio sediou há dois anos os Jogos Pan-Americanos, durante o qual ocorreram eventos de vela. O público passou a ter maior interesse pelas regatas e campeonatos de vela no estado após o Pan?
Pedro Paulo: Acredito que a Volvo Ocean Race em 2006 foi um evento específico de vela que a mídia cobriu muito, tanto na TV quanto no rádio e jornal. A Volvo foi um ponto de partida para que o povo se envolvesse mais pelo esporte, já que só Pan e Olimpíadas tem uma divulgação maior. Acho que a VOR foi a base para a divulgação da vela, a partir dela houve um interesse maior da imprensa em divulgar a vela. Dentre todos os esportes brasileiros a vela é o que conseguiu mais medalhas, e a Volvo foi o alicerce para divulgar-se isso. Em março vamos ter a Volvo no Rio de novo, e a largada será dia 11 de abril. Será outro período que a vela será bastante divulgada.

Blog: Diferentemente da Bahia, que a força da vela está concentrada em Salvador, o Rio de Janeiro tem vários núcleos náuticos além da capital, como Angra dos Reis, Paraty, Búzios, Cabo Frio e outros. A FEVERJ possui um calendário de eventos náuticos especiais para essas regiões?
Pedro Paulo: A FEVERJ tem um calendário anual que envolve todas as regiões e um calendário específico para cada município. Temos 18 regatas oficiais durante o ano, uma regata patrocinada por cada clube e que envolve regatas fora do município do Rio de Janeiro. Essas regatas formam o Campeonato Interclubes que, ao final do ano, premia o clube campeão. Esse evento atualmente é um dos eventos mais concorridos, pois os clubes fazem força para que os velejadores participem destas regatas para o clube obter uma maior pontuação. Cada clube tem direito a uma regata por ano, e essas regatas somam para o Interclubes que não forma o velejador, mas sim o clube vencedor. Essa competição faz com que exista um intercâmbio, porque em todos os clubes vão velejadores de outros para participar. Antigamente, um velejador do ICRJ não gostava de participar em Niterói ou Angra, e hoje em dia os clubes incentivam para que eles corram essas regatas específicas para que o clube seja campeão.

Blog: O Rio de Janeiro receberá de novo este ano a flotilha da Volvo Ocean Race. Da última vez, há três anos, era a primeira vez que um veleiro brasileiro participava desta regata, e no final, eles conseguiram o feito histórico de entrar para o pódio de uma competição de altíssimo nível. Quais são os aprendizados que se obtêm ao realizar uma regata internacional deste porte?
Pedro Paulo: No Brasil, nós não temos uma cultura de vela junto aos patrocinadores. É muito difícil, em função do alto custo, que o Brasil se faça representar nesses eventos de grande porte, pois o valor mínimo de um patrocínio fica bem acima do que o retorno de mídia que será conseguido em função deste. O Brasil só consegue grandes patrocinios para o futebol, pois é o esporte que a mídia apóia. O projeto da Volvo, que teve um barco brasileiro, só foi possível pelo grande empenho da empresa Brasil 1 na busca do mesmo, e a maior parte desse patrocínio veio do Governo Federal.

Blog: Além da Volvo, vocês sediarão mais algum evento internacional este ano?
Pedro Paulo: Em 2009 haverão três Campeonatos Mundiais de vela no Rio de Janeiro. Na primeira quinzena de julho haverá o Campeonato Mundial da Juventude da ISAF e na segunda quinzena de julho o Campeonato Mundial de Laser 4.7, ambos no múnicipio de Búzios. E também o Campeonato Mundial de Optimist, que será realizado em Niterói no mês de agosto.

Blog: Para você, qual o pilar mais importante na construção de uma sociedade que respeite, incentive e participe do esporte náutico?
Pedro Paulo: O esporte náutico é tratado como um esporte de elite, e isso inibe muitos que querem participar de obter informações por acharem que é um esporte somente para ricos. Isso é algo que todo mundo fala mas não é verdade, pois existem velejadores que são da classe média-baixa. Ao se adquirir um barco da classe Dinghy ou Laser, que custa por volta de 3000 reais, o velejador não terá o custo durante bastante tempo pois o mesmo é movido a vento e a conservação é mínima. Ao mesmo tempo, se você compra uma lancha, o gasto com combustível, manutenção são razoavelmente grandes.

fotos: Maurício Mascarenhas

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Vídeo exclusivo da chegada do ICAP Leopard

Assista o vídeo exclusivo do Blog da FENEB da chegada do ICAP Leopard na Baía de Todos os Santos no dia 20/01/2009. Este foi o exato momento no qual o super-maxi inglês passou entre a bóia verde do Banco da Panela e a ponta do molhe sul do porto de Salvador e estabeleceu o novo recorde da Heineken Cape to Bahia.
English subtitles available.

FENEB Entrevista: George David

Logo ao chegar no Terminal Náutico da Bahia, o comandante do Rambler, George David, foi convidado pelo Blog da FENEB para conceder uma entrevista e trazer um pouquinho da emoção da regata para os velejadores baianos. David, que velejava em monotipos desde os oito anos de idade, é representante de uma empresa líder mundial em elevadores, e nos contou que esteve na Bahia há 30 anos para fazer a manutenção do Elevador Lacerda. Segue a reportagem completa:


Blog da FENEB: Como foram as 3400 milhas que vocês enfrentaram para chegar até aqui?
George David: Foi um percurso perfeito, mas você sabe que como nem sempre o caminho reto é o mais curto, nós tivemos de percorrer quase 3700 milhas para chegar na Bahia. Nós fomos muito bem, e talvez sejamos os vencedores! Dependendo das condições que o Hi-Fidelity vai enfrentar, temos uma chance real de vencer no tempo corrigido.

Blog: E a emoção da "batalha" contra o ICAP Leopard?
David: Nós fizemos uma boa velejada, mas você tem que levar em consideração que o ICAP Leopard é 10 pés maior e é uma verdadeira máquina de velejar, ele não tem nada no barco! Nossa viagem foi muito mais confortável, tínhamos direito a banho, ar-condicionado...

Blog: Com certeza vocês tiveram um conforto muito maior.
David: Mesmo o nosso barco tendo um projeto mais conservador, nós conseguimos algumas vitórias. Na regata Fastnet, que sai da Inglaterra, dá a volta na Irlanda e volta, passamos num farol irlandês a 3 segundos do ICAP Leopard enquanto eles deveriam estar 50 milhas na frente... Eles tem capacidade para serem muito mais rápidos que nós. No final da Fastnet, eles chegaram 40 minutos na frente, mas no corrigido o Rambler ganhou por 8 horas.

Blog: A Heineken Cape to Bahia é, sem dúvidas, uma regata inesquecível. Como foram esses onze dias no mar?
David: Bem, durante a regata nós tivemos três momentos. O primeiro foi na saída da Cidade do Cabo, onde tínhamos muito, muito vento. E ventos fortes mesmo! Mas, durante algumas horas, nós não tínhamos vento nenhum! Depois, no meio do Atlântico, é onde nós pensamos nas coisas da vida... (risos) Enquanto o barco estava indo a 15, 16 nós, a gente ficava discutindo as questões que temos sobre a vida...

Blog: E a chegada?
David: Ah, estamos muito felizes de chegar aqui após onze dias de "4 horas acordado, 4 horas dormindo". A comida congelada já não era mais tão saborosa, mas eu velejo porque eu gosto de competir e ter uma chance de ganhar. E nós ficamos felicíssimos com o desafio.

Blog: Muito obrigado pelas palavras, comandante David.
David: Eu gostaria também de parabenizar o Royal Cape Yacht Club, o Governo da Bahia e os patrocinadores pelo excelente trabalho que fizeram aqui, e a nossa participação este ano é devida ao empenho com que eles realizaram todo este evento.


foto: Maurício Mascarenhas

O Rambler chegou!

Hoje no início da tarde, o super-maxi americano Rambler chegou à Bahia, sendo o segundo veleiro a passar pela linha de chegada da Heineken Cape to Bahia. O veleiro de 90 pés chegou em Salvador por volta do meio-dia, com um tempo extra-oficial de regata de cerca de 11 dias e 3 horas.
O Rambler, de bandeira americana, fez um show à parte para os fotógrafos e para a imprensa presente nas águas da Baía de Todos os Santos, dando algumas cambadas para permitir que fossem fotografados pelo melhor ângulo possível.
Ao chegar, foram recepcionados pelo Grupo de Trabalho Náutico do Governo do Estado e pela comissão organizadora da regata. Quando subiram no mezanino do Terminal Náutico, receberam presentes da terra, como cocadinhas e fitinhas do Senhor do Bonfim.
Segundo as previsões da comissão de regata, o próximo veleiro a chegar é o sul-africano Hi-Fidelity, que deverá chegar entre o sábado e o domingo, e é esperado ansiosamente pela imprensa sul-africana presente no Terminal Náutico.
foto: Maurício Mascarenhas

Ericsson 4 cai e Telefónica Black sobe na VOR


Os ventos do Oriente estão atrapalhando mais do que ajudando a Torben Grael e a sua equipe, o Ericsson 4. Durante o meio da manhã (meio da noite na Bahia), os suecos caíram várias posições, devido às frequentes mudanças na direção dos ventos na região das Ilhas Spratly. O maior beneficiado foi, sem dúvida, o Telefónica Black de Fernando Echavarri, que subiu da quinta posição para a liderança da flotilha.
Durante as últimas 24 horas, ocorreram dois eventos que provocaram essa loucura na classificação. O primeiro foi uma rondada do vento à meia-noite (16h00, horário da Bahia), que fez com que Torben, que estava amurado a boreste, fosse seriamente prejudicado e perdesse seguidas posições. E ainda houve outra rondada às seis da manhã (22h00 de ontem, horário da Bahia) na qual os ventos de nordeste passaram a soprar de sudeste. Provavelmente as tripulações chegaram a pensar que as birutas estavam "birutas"!
Como Mark Chisnell havia relatado ontem, qualquer mudança de vento acima de 43º favoreceria Magnus Olsson e seu Ericsson 3. Dito e feito. O E3 ganhou seguidas posições e ficou na segunda posição por algumas horas. Porém, o vento não demorou muito para voltar para norte-nordeste (25º), e com o waypoint de South Rock Light estando na chamada "zona morta", ou seja, exatamente na direção do vento, dando re-início à "dança das cambadas".

Rambler a menos de 100 milhas da Bahia!

De acordo com o mais novo relatório divulgado pela organização da Heineken Cape to Bahia, o Rambler está a apenas 95 milhas da Bahia, cerca de 110 milhas no través da Ponta do Apaga-Fogo, na entrada da Baía de Camamu. A previsão de chegada do super-maxi americano é para o início da tarde de hoje. Esteja presente na praia do Porto da Barra ou próximo ao Terminal Náutico e acompanhe a chegada do segundo veleiro a cruzar a linha de chegada da 2009 Heineken Cape to Bahia!
O South Atlantic Trophy, entregue ao barco campeão no tempo corrigido, ainda está muito disputado. O Rambler disparou na primeira posição e, se fizer uma boa chegada hoje, tem grandes chances de levar o troféu. Mas o Hi-Fidelity não deve fazer por menos e vai lutar até o último momento para levar o troféu mais importante da vela sul-africana de volta pra casa.
Ontem, os ventos estiveram fracos para a flotilha, e os sul-africanos foram os que mais sofreram. O Hi-Fidelity foi ultrapassado pelo ICAP Leopard na classificação, e agora está em terceiro por uma pequena diferença. Logo atrás, na quarta posição, está o MTU Fascination of Power, que na regata de 2006 foi comandado pelo comodoro do Royal Cape Yacht Club John Martin e tinha na tripulação alunos da escola de vela de Isivunguvungu. Já o Voortrekker não enviou o posicionamento hoje, e está provisoriamente na oitava e última posição.
Ainda hoje, acompanhe as últimas novidades sobre a chegada do Rambler e sobre a Heineken Cape to Bahia aqui no Blog da FENEB.